Fique por dentro: Cenário Internacional

FIQUE POR DENTRO – CENÁRIO INTERNACIONAL

Refletir sobre o cenário global na atualidade implica necessariamente em um duplo exercício: uma visão simultânea de como se situam os principais países e suas respectivas dimensões política e econômica. Com consecutivas notícias de ataques de bombas nucleares, ditaduras veladas, ascensão de Donald Trump nos EUA, o crescimento da extrema-direita na Europa e a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, o cenário internacional anda tão movimentado quanto o nacional.

ELEIÇÕES NA ALEMANHA – CRESCIMENTO DE PARTIDOS DE EXTREMA-DIREITA NA EUROPA

No dia 24 de setembro, aconteceram as eleições para o parlamento alemão, mantendo

Angela Merkel como Chanceler que, sem grandes surpresas, liderou a votação. A mudança foi a queda significativa   de   apoio   no   parlamento.  O   novo partido AfD,  Alternativa  para  a  Alemanha, conseguiu  12,9%  dos  votos  e  entrará  no Parlamento, marcando uma vitória da ultradireita alemã. Essa é a primeira vez, desde o fim da Segunda Guerra Mundial (1945), que a extrema- direita chega ao Parlamento alemão. Esse partido usa slogans como “O Islã não pertence à Alemanha” e seu forte apelo nacionalista preocupa bastante.

Contudo, a Alemanha não está isolada. Países como Holanda, França e Hungria também obtiveram maior presença dos partidos de extrema-direita em seus respectivos parlamentos após eleições recentes. Estes partidos defendem a saída da União Europeia, agenda nacionalista forte, resistência à expansão de direitos de imigrantes, flexibilização de fronteiras e perda de soberania.

Apesar de não ter garantido maioria em nenhum dos países no qual concorreu, a extrema-direita como um todo cresce e ganha eleitores não só na Europa, mas nos Estados Unidos, como foi observado durante os recentes protestos da supremacia branca contra homossexuais, judeus, negros e imigrantes. Fato é que, após a Segunda Grande Guerra e mais de 5 milhões de vítimas, a ultradireita volta a crescer e seus apoiadores se sentem mais confortáveis em terem voz, amedrontando aqueles que creem na organização da União Europeia, bloco construído de modo democrático e como alternativa aos conflitos entre as nações.

A CRISE NA VENEZUELA E AS CONSEQUÊNCIAS PARA O BRASIL

A crise econômica e humanitária que se alastra na Venezuela vive clima de tensão há mais de 100 dias, transbordando as próprias fronteiras e atingindo diretamente o Brasil. O norte do Brasil é o principal afetado e necessita de ajuda imediata que, por ser o lugar mais próximo para se chegar por terra, é a principal porta de entrada dos imigrantes que buscam fugir do autoritarismo do governo da Venezuela. Só nos primeiros seis meses de 2017, 7.600 refugiados venezuelanos entraram no país.

Com uma economia assombrada pelo petróleo, após passar anos com governos corruptos e populistas, Hugo Chávez ascendeu como o político que prometeu devolver à Venezuela os anos de abonança petrolífera, com crescimento econômico.  Porém, com  o  passar  dos  anos, Chávez se tornou um líder ditatorial que levou a economia venezuelana a patamares ainda piores, causando a maior crise da história do país.

Como consequência disso, o Brasil, que vive uma crise política que enfraquece a tomada de atitude voltada  para a  política  externa,  recebeu  quase  8 mil  refugiados  venezuelanos  no  mesmo momento que vive grave crise econômica. Além disso, o país não propôs sansões severas à Venezuela, tendo o presidente Temer delegado esta função ao presidente norte-americano, Donald Trump, fato que causou inúmeras críticas de especialistas que esperavam uma ação direta do Brasil.

BRASIL DEVE SE PREOCUPAR COM CONFLITOS ENTRE COREIA DO NORTE E ESTADOS UNIDOS?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em seu discurso na 72ª Assembleia Geral da ONU que seu país estaria pronto para “destruir totalmente” a Coreia do Norte, caso sejam “forçados a se defenderem”. De acordo com o Ministro das Relações Exteriores norte-coreano, Ri Yong-ho, a fala do presidente norte-americano soa como “declaração de guerra” e trocou ameaças. Mas como as trocas de farpas e ameaças em público entre os dois países podem afetar o Brasil?

Único país do continente americano a manter embaixadas nas duas Coreias, o Brasil exporta cerca de US$ 2 milhões em produtos e importa US$ 8,7 milhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Já com os Estados Unidos, a relação se estende por anos e o país é hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil e um dos maiores no ranking dos países que fazem investimentos produtivos. Sendo assim, um possível conflito entre ambos os países, poderia   deixar   o   Brasil   sem   investimentos norte-americanos e sem alguns dos produtos norte-coreanos.

Contudo, apesar dos testes de bombas e ameaças, uma guerra na península coreana não serve aos interesses de ninguém, apontam especialistas. Apesar de ter se retirado do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, a Coreia do Norte não apresenta real ameaça mundial, visto que o principal objetivo do governo de Kim Jong-un é a sobrevivência – e um conflito direto com os EUA poderia ameaçar seriamente essa possibilidade.

Vale lembrar também que o mundo já enfrentou situação semelhante: os dois países chegaram perto de um conflito em 1994, quando Pyongyang se recusou a permitir inspetores internacionais em suas instalações nucleares. De acordo com especialistas, os EUA sempre disseram que caso a Coreia do Norte ataque, o regime ditatorial deixará de existir, reforçando as teorias de que, para se manter no poder, Jong-un não fará nada.

A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA NO GOVERNO TEMER

Desde que assumiu a presidência, Michel Temer tem tentado desconstruir o legado das administrações petistas de Lula e Dilma, porém, isto acabou fragilizando a base da atuação da Política Externa Brasileira: as relações diplomáticas e comerciais com os países do Sul.

Em  seu  recente  discurso  de  abertura  da  Assembleia  Geral  da  ONU,  o  presidente ressaltou esforços do governo federal pela proteção da Amazônia e enalteceu queda de 20% nas taxas  de  desmatamento.  O  problema  é  que  o

presidente disse isso poucas semanas depois de divulgar  um  decreto  que extinguiu  uma  reserva nacional do tamanho da Dinamarca. Também afirmou que o país está superando uma crise econômica e que seu governo tem resgatado a credibilidade política, apenas uma semana depois de ter sido alvo da segunda denúncia por corrupção passiva e organização criminosa da Procuradoria

Geral da República. Apesar de tentar melhorar a imagem do Brasil no cenário global, o efeito de seu discurso foi negativo, chegando a ser classificado pela mídia estrangeira como “catástrofe diplomática”.

Por fim, em meio a uma grave crise econômica, o presidente tem adotado uma política destinada a atender interesses estrangeiros, principalmente dos Estados Unidos e de investidores chineses, o que acaba sendo criticado pelos nacionalistas, mas também é visto como uma saída para o reaquecimento da economia do país.

CONCLUSÃO

A ausência de amplo conflito armado e direto entre duas ou mais grandes potências, como era padrão em períodos anteriores, pode passar a impressão de um cenário internacional relativamente pacífico. Porém, os conflitos, beligerantes ou não, só crescem ao redor do mundo. Apesar de coexistirem por haver interdependência de interesses, vem ganhando força, na política internacional o avanço dos interesses individuais de diferentes países.

Esta realidade, entre outros motivos, é o que favorece o fortalecimento de partidos de extrema-direita no mundo, alavancando o nacionalismo exacerbado, além de impedir que os países se unam para encontrarem soluções diplomáticas para crises migratórias e regimes ditatoriais. Consequentemente, vivemos em um cenário internacional com um elevado nível de violência e sem grandes perspectivas de que o mesmo se torne mais pacífico em breve.

No Brasil, a crise política interna acaba afetando fortemente a condução das relações diplomáticas. O país ocupa a presidência do Mercosul, mas ainda não houve ação de destaque voltada para o bloco, que já vinha perdendo expressão desde o governo Dilma. As ações de Temer estão voltadas a parceiros comerciais mais fortes que podem ajudá-lo a fazer a máquina da economia voltar a girar, como é o caso dos EUA e da China. No entanto, enquanto a situação interna não melhorar não há expectativa de grandes alterações na condução da política externa.

Responsabilidade Técnica:
DOMINIUM CONSULTORIA – Por Giovana Carneiro e Ana Paula Duarte.